Chuvas atrasam colheita do café e aumentam preocupação de produtores no Sul de Minas

Chuvas atrasam colheita do café e aumentam preocupação de produtores no Sul de Minas

Excesso de chuva compromete o ritmo da safra, eleva o risco de doenças nas lavouras e pode afetar a qualidade dos grãos em uma das principais regiões produtoras de café do Brasil

O excesso de chuvas registrado durante o mês de junho tem provocado impactos significativos na cafeicultura do Sul de Minas, principal região produtora de café do país. Em pleno período de colheita, as precipitações acima da média interromperam os trabalhos no campo, atrasaram o calendário da safra e aumentaram a preocupação dos produtores com possíveis perdas na qualidade e na produtividade dos grãos.

Levantamento do Programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG), da FAEMG Senar, aponta que apenas 30% da safra havia sido colhida no início de julho. No mesmo período do ano passado, o índice já alcançava 52%, evidenciando um atraso expressivo provocado pelas condições climáticas.

Segundo a Fundação Procafé, somente em Varginha foram registrados 64 milímetros de chuva durante o mês de junho, praticamente o dobro da média histórica para o período. A umidade excessiva obrigou produtores a suspenderem as atividades de colheita em diversas propriedades, com paralisações que, em muitos casos, duraram até dez dias.

Além do atraso na colheita, especialistas alertam para outros efeitos negativos causados pelas chuvas fora de época. A elevada umidade favorece o surgimento de fungos, aumenta o risco de fermentação dos grãos, dificulta a secagem natural e pode reduzir a qualidade final do café comercializado. Outro fator que preocupa é a ocorrência de floradas antecipadas, fenômeno que pode comprometer o desenvolvimento da próxima safra caso as condições climáticas não sejam favoráveis nos próximos meses.

Os impactos também atingem os custos de produção. Com a impossibilidade de utilizar máquinas em áreas encharcadas e a necessidade de intensificar o manejo das lavouras, muitos cafeicultores enfrentam aumento nas despesas operacionais justamente em um momento decisivo para a colheita.

Minas Gerais responde pela maior produção de café do Brasil, tendo o Sul de Minas como principal polo cafeeiro. Qualquer alteração no ritmo da colheita da região repercute diretamente no mercado nacional e internacional, influenciando a oferta, a qualidade do produto e as expectativas para a comercialização da safra.

Enquanto aguardam uma melhora nas condições climáticas, produtores seguem monitorando as lavouras e buscando reduzir os prejuízos provocados pelo excesso de chuva. O cenário reforça a importância do acompanhamento técnico e da adoção de estratégias que permitam minimizar os impactos das mudanças climáticas sobre uma das culturas mais importantes da economia mineira.

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