Medida anunciada pelo governo norte americano amplia custos para exportadores brasileiros e pode impactar setores estratégicos da economia nacional
O governo dos Estados Unidos anunciou uma nova tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros, medida que poderá elevar a tributação total de parte das exportações nacionais para até 37,5%. A nova cobrança entrou em vigor nesta sexta feira e se soma à sobretaxa de 25% já aplicada anteriormente a diversos produtos brasileiros.
Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), a decisão foi tomada após uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O governo norte americano alega que o Brasil não possui mecanismos considerados suficientes para impedir a entrada de produtos oriundos de cadeias produtivas ligadas ao trabalho forçado.
Na prática, a nova tarifa substitui a alíquota global temporária de 10% aplicada desde fevereiro e passa a ser cumulativa com a sobretaxa de 25% que entrou em vigor no último dia 22 de julho. Com isso, milhares de produtos brasileiros exportados aos Estados Unidos poderão enfrentar uma carga tarifária de até 37,5%, tornando os itens nacionais menos competitivos no mercado americano.
Entre os produtos potencialmente afetados estão etanol, celulose, máquinas agrícolas, equipamentos industriais, transformadores elétricos e diversos outros itens exportados pelo Brasil. De acordo com estimativas da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), a medida alcança aproximadamente 3 mil produtos, correspondendo a cerca de US$ 12,5 bilhões em exportações anuais para os Estados Unidos.
O governo brasileiro criticou a decisão, classificando a medida como arbitrária, e informou que estuda recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC). Integrantes da equipe econômica também avaliam alternativas para reduzir os impactos sobre os exportadores nacionais e preservar a competitividade das empresas brasileiras no mercado internacional.
Especialistas alertam que o aumento das tarifas pode afetar diretamente setores do agronegócio, da indústria e da transformação, reduzindo margens de lucro, pressionando custos de produção e estimulando empresas brasileiras a buscar novos mercados consumidores para compensar possíveis perdas nas exportações aos Estados Unidos.
O episódio representa mais um capítulo nas tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos e reforça o desafio do governo brasileiro em manter a competitividade de seus produtos em um cenário internacional marcado pelo aumento do protecionismo e pela disputa por mercados estratégicos.