Áurea Carolina, Carlin Moura, Domingos Sávio e Marília Campos apresentaram propostas para o setor durante debate promovido pela AMIG Brasil, em Belo Horizonte
A mineração voltou ao centro do debate eleitoral em Minas Gerais e colocou frente a frente diferentes visões sobre o futuro de uma das atividades econômicas mais importantes do Estado.
Quatro candidatos ao Senado por Minas Gerais participaram, nesta quarta feira, 19 de agosto, do evento Mineração em Debate, promovido pela Associação Brasileira dos Municípios Mineradores, AMIG Brasil, em Belo Horizonte. Áurea Carolina, do PSOL, Carlin Moura, do Avante, Domingos Sávio, do PL, e Marília Campos, do PT, apresentaram propostas e posições sobre exploração mineral, legislação, fiscalização, distribuição dos recursos e aproveitamento das chamadas terras raras.
O encontro ocorre em um momento em que a mineração ganha espaço estratégico na campanha eleitoral de 2026. Minas Gerais possui uma longa trajetória ligada à atividade mineral, mas também carrega um histórico de impactos ambientais, sociais e econômicos provocados por grandes empreendimentos.
A discussão, portanto, vai muito além de defender ou criticar a mineração. O ponto central colocado pelos candidatos é como explorar as riquezas minerais sem deixar para os municípios apenas os impactos quando a atividade chegar ao fim.
Áurea Carolina defende proteção dos territórios e diversificação econômica
A candidata Áurea Carolina apresentou uma posição voltada à conciliação entre atividade mineral, proteção ambiental e desenvolvimento econômico.
Com trajetória política ligada às discussões sobre mineração e aos impactos provocados por rompimentos de barragens, ela defendeu que as populações e os territórios afetados estejam no centro das decisões.
A proposta apresentada passa pelo investimento em ciência, tecnologia e industrialização. A ideia é que Minas Gerais não fique limitada à extração e exportação de matéria prima, mas consiga transformar parte dessa riqueza em desenvolvimento econômico duradouro para as cidades.
Para Áurea, a mineração precisa deixar um legado econômico capaz de permanecer mesmo depois do encerramento das atividades.
A candidata também destacou a necessidade de considerar os ganhos sociais e econômicos para as populações atingidas pela atividade mineral.
Carlin Moura cobra modernização da legislação
Carlin Moura classificou como obsoleto o atual marco regulatório da mineração e chamou atenção para o fato de o Código de Mineração brasileiro ter sido criado em 1967.
Na avaliação do candidato, os municípios precisam ter participação mais efetiva nas decisões relacionadas à exploração mineral, principalmente porque são as cidades que convivem diretamente com os impactos da atividade.
Um dos argumentos apresentados é que, enquanto a exploração gera riqueza, os efeitos ambientais, urbanos e sociais permanecem principalmente no território onde a mineração acontece.
Carlin também chamou atenção para as terras raras e explicou que o aproveitamento desses minerais é muito menor em comparação ao minério de ferro. Segundo ele, pode ser necessário processar uma quantidade muito maior de material para obter pequenas quantidades de terras raras.
Outro ponto levantado foi a estrutura da Agência Nacional de Mineração, ANM. Para o candidato, a falta de recursos materiais e de pessoal compromete a capacidade de fiscalização do setor.
Ele também alertou para o risco de captura das agências reguladoras quando elas não possuem instrumentos suficientes para cumprir suas funções.
Domingos Sávio defende fortalecimento da fiscalização
Domingos Sávio também defendeu a atualização do Código de Mineração e o fortalecimento da ANM.
Para o candidato, Minas e o Brasil precisam encontrar um equilíbrio entre desenvolvimento econômico e preservação ambiental, com uma legislação capaz de acompanhar a realidade atual do setor.
Outro ponto de destaque na proposta é o processamento das terras raras dentro do próprio país.
A ideia é evitar que o Brasil simplesmente extraia e exporte o minério sem agregar valor à produção. O candidato defende investimentos em processamento e tecnologia antes da exportação, criando uma cadeia produtiva mais sofisticada e potencialmente capaz de gerar mais empregos, renda e conhecimento.
Domingos Sávio também ressaltou que os recursos minerais devem ser tratados como patrimônio nacional, reforçando a necessidade de uma legislação que combine exploração econômica, preservação ambiental e distribuição mais justa da riqueza gerada.
Marília Campos quer rever modelo de exploração
Marília Campos defendeu uma mudança mais ampla no modelo de exploração mineral brasileiro.
A candidata afirmou que o país possui uma oportunidade para rever o Código de Mineração e estabelecer regras que tenham o desenvolvimento nacional como um dos principais objetivos.
Entre os pontos destacados está a necessidade de garantir que a riqueza produzida pela mineração contribua de maneira mais significativa para Minas Gerais e para o Brasil.
Marília também chamou atenção para os efeitos da reforma tributária sobre os municípios mineradores e defendeu mudanças na arrecadação proveniente da atividade.
Uma das propostas apresentadas é o aumento da alíquota da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais, a CFEM, mecanismo que gera receitas para municípios, Estados e União a partir da exploração mineral.
Terras raras colocam Minas diante de uma nova oportunidade
Um dos assuntos que mais ganha força no debate mineral é o potencial das terras raras.
Esses minerais são considerados estratégicos para setores como tecnologia, energia, indústria e equipamentos de alta complexidade. Por isso, o interesse internacional pela exploração e processamento desses recursos vem aumentando.
Para Minas Gerais, a discussão abre uma possibilidade de mudança no modelo tradicional baseado principalmente na extração e exportação de minério.
O desafio está justamente em transformar a riqueza mineral em uma cadeia produtiva capaz de gerar tecnologia, empregos qualificados e arrecadação.
Esse ponto aproxima as propostas apresentadas pelos candidatos, ainda que existam diferenças importantes sobre como alcançar esse objetivo.
Municípios mineradores querem mais participação
Outro aspecto relevante do debate é a relação entre mineração e municípios.
A exploração mineral costuma provocar impactos diretos sobre infraestrutura, trânsito, meio ambiente, ocupação territorial e serviços públicos. Ao mesmo tempo, os municípios recebem recursos decorrentes da atividade.
A discussão apresentada pelos candidatos mostra que existe uma preocupação crescente em garantir que as cidades mineradoras tenham maior capacidade de planejamento e participação nas decisões.
Para Minas Gerais, esse debate tem peso ainda maior porque muitas cidades dependem direta ou indiretamente da mineração para movimentar suas economias.
O problema aparece quando a atividade mineral se encerra e o município precisa lidar com uma economia que pode ter ficado excessivamente dependente de uma única fonte de receita.
Por isso, propostas de diversificação econômica e industrialização aparecem como uma das principais questões de longo prazo.
O debate que Minas precisa fazer
A discussão eleitoral sobre mineração chega ao eleitor em um momento em que o setor passa por transformações importantes.
A questão já não é simplesmente escolher entre mineração ou preservação ambiental. O debate mais complexo é definir qual mineração Minas Gerais quer ter nas próximas décadas.
Uma mineração com maior fiscalização?
Uma atividade que agregue valor antes de exportar?
Uma legislação mais rigorosa?
Maior participação dos municípios?
Mais investimentos em tecnologia?
Ou uma combinação dessas medidas?
As respostas apresentadas pelos candidatos ao Senado mostram que existem diferentes caminhos políticos para uma mesma questão.
O que estará em jogo nas urnas será também a escolha de qual modelo de desenvolvimento o Estado pretende defender no Congresso Nacional.
Para Minas Gerais, onde a mineração faz parte da história econômica e da identidade de inúmeras cidades, a discussão não pode terminar junto com a campanha eleitoral.
É um debate que envolve arrecadação, empregos, meio ambiente, segurança, desenvolvimento regional e, principalmente, o futuro dos municípios que convivem diariamente com a exploração de suas riquezas naturais.
O Aqui Acontece acompanha as eleições de 2026 e apresenta as principais propostas e posicionamentos dos candidatos para que o eleitor possa conhecer, comparar e formar sua própria opinião.






