Pesquisa BTG/Nexus mostra avanço de nove pontos do candidato do Avante em uma semana. Lula aparece com 39% e Flávio Bolsonaro com 33% no primeiro turno
A corrida presidencial de 2026 ganhou um novo elemento de tensão nesta segunda feira, 31 de agosto. O candidato Augusto Cury, do Avante, saltou de 2% para 11% das intenções de voto em apenas uma semana e assumiu isoladamente a terceira colocação na pesquisa BTG/Nexus.
O crescimento de nove pontos percentuais coloca Cury pela primeira vez na casa dos dois dígitos em um levantamento nacional e altera o desenho da disputa pelo eleitorado que não está concentrado nos dois principais nomes da eleição.
O resultado chama atenção porque o avanço ocorreu justamente em um momento de intensa exposição dos candidatos, após o debate presidencial e as entrevistas realizadas pela TV Globo.
De onde vieram os votos de Cury?
O principal ponto da pesquisa é justamente entender quem perdeu espaço enquanto Augusto Cury avançou.
Na rodada anterior da BTG/Nexus, realizada uma semana antes, Lula aparecia com 41% e Flávio Bolsonaro com 37%. Agora, Lula registra 39% e Flávio, 33%.
Ou seja, os dois principais candidatos oscilaram para baixo enquanto Cury avançou nove pontos.
A queda de Lula foi de dois pontos, enquanto Flávio perdeu quatro pontos. Entretanto, os dados não permitem afirmar que todos os votos perdidos pelos dois tenham migrado diretamente para Cury.
Pesquisa eleitoral identifica variações nas intenções de voto, mas não consegue, por si só, determinar a trajetória individual de cada eleitor entre uma rodada e outra.
O que os números mostram com clareza é que Cury foi o candidato que mais cresceu no intervalo analisado.
Cury ultrapassa nomes que estavam à frente
O avanço também muda a disputa pela chamada terceira via.
Ronaldo Caiado, do PSD, que vinha ocupando a terceira posição em levantamentos anteriores, aparece agora com 5%.
Renan Santos, do Missão, registra 3%.
Romeu Zema, do Novo, aparece com 1%.
Com 11%, Cury passa a ter mais que o dobro das intenções atribuídas a Caiado e abre vantagem sobre os demais candidatos que disputam espaço fora da polarização Lula e Bolsonaro.
A mudança é significativa porque, até poucas semanas atrás, Cury aparecia com percentuais próximos de 1% ou 2% em levantamentos da mesma série.
Um crescimento que começou nas redes sociais
A pesquisa também coincide com uma forte expansão da presença digital de Augusto Cury.
Segundo informações divulgadas junto ao levantamento, o candidato apresentou crescimento expressivo no número de seguidores e no interesse por seu nome nas redes sociais após o debate presidencial.
Dados de monitoramento citados por veículos que analisaram a pesquisa apontam que Cury ganhou milhões de seguidores em poucos dias e registrou aumento expressivo nas buscas pelo seu nome.
O movimento demonstra como as redes sociais passaram a exercer papel cada vez mais importante na construção da imagem dos candidatos, especialmente em uma eleição na qual parte significativa do eleitorado ainda pode estar aberta a novas opções.
O fenômeno, entretanto, ainda precisa ser acompanhado para saber se representa uma tendência eleitoral consistente ou apenas um pico de atenção provocado pela exposição recente.
Lula continua na liderança
Apesar do avanço de Cury, Lula permanece na primeira colocação da pesquisa BTG/Nexus.
O presidente aparece com 39% das intenções de voto no primeiro turno, seguido por Flávio Bolsonaro, com 33%.
A diferença entre os dois é de seis pontos percentuais.
Ronaldo Caiado aparece com 5%, enquanto Renan Santos registra 3%. Romeu Zema tem 1%.
Em um cenário que inclui Pablo Marçal, o ex candidato aparece com 3%.
A pesquisa também mostra que a disputa pelo segundo turno permanece concentrada, neste momento, entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Segundo turno continua apertado
Apesar da vantagem de Lula no primeiro turno, o cenário muda quando os entrevistados são questionados sobre um eventual segundo turno.
Na simulação entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 46%, enquanto Flávio registra 45%.
O resultado configura empate técnico dentro da margem de erro da pesquisa.
Isso significa que, mesmo com Lula liderando o primeiro turno, o cenário de segundo turno permanece praticamente dividido.
A leitura reforça uma característica importante da eleição de 2026: o primeiro turno e o segundo turno apresentam dinâmicas diferentes e não podem ser analisados como se fossem a mesma fotografia.
O que o crescimento de Cury significa para a eleição?
O salto de Augusto Cury para 11% não significa, automaticamente, que ele esteja próximo de disputar o segundo turno.
A distância para Lula e Flávio ainda é considerável.
Mas o resultado muda o patamar político de sua candidatura.
Um candidato que estava na faixa de 1% ou 2% e passa para 11% deixa de ser apenas um nome secundário nas pesquisas e passa a ocupar espaço relevante no debate eleitoral.
A partir de agora, a questão será saber se Cury conseguirá transformar o crescimento de visibilidade em voto consolidado.
Também será necessário observar como os demais candidatos reagirão.
Uma candidatura que alcança dois dígitos tende a se tornar alvo de maior exposição, críticas e questionamentos, além de passar a disputar diretamente o eleitorado que antes estava distribuído entre diferentes nomes.
A disputa pela terceira posição ganhou importância
O resultado da BTG/Nexus revela uma eleição que não está completamente cristalizada.
Lula e Flávio Bolsonaro continuam dominando o primeiro turno, mas a distância entre eles e os demais candidatos não impede movimentos importantes no bloco intermediário.
Cury agora aparece como o principal nome desse grupo.
Seu crescimento também coloca uma pergunta no centro da disputa: existe espaço para uma candidatura capaz de romper a polarização que domina a eleição presidencial brasileira há anos?
A resposta ainda não está dada.
O que existe, neste momento, é um dado objetivo: Augusto Cury cresceu nove pontos em uma semana e chegou a 11% na pesquisa BTG/Nexus.
É um movimento que merece acompanhamento, principalmente porque ocorreu em um período de forte exposição pública e movimentação nas redes sociais.
Metodologia
A pesquisa BTG/Nexus ouviu 2.005 eleitores com 16 anos ou mais, por telefone, entre os dias 28 e 30 de agosto de 2026.
A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%.
O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR 08900/2026.
Editorial Aqui Acontece
A eleição presidencial ainda está longe de ser definida.
O dado mais importante desta nova pesquisa talvez não seja apenas quem está na frente, mas quem está conseguindo crescer.
Augusto Cury saiu de 2% para 11% em uma semana. Isso não garante segundo turno, muito menos vitória, mas muda o tamanho político de sua candidatura.
Ao mesmo tempo, Lula e Flávio Bolsonaro continuam concentrando a maior parte do eleitorado e protagonizando uma disputa que, no segundo turno, aparece praticamente empatada.
A campanha está apenas começando a ganhar temperatura.
E quando os números começam a se movimentar dessa maneira, uma coisa é certa: a eleição de 2026 ainda tem muita história para contar.