Presidente participa de atos em Porto Alegre e Curitiba neste fim de semana e terá agenda em Florianópolis no dia 19; região é considerada estratégica na disputa presidencial
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, inicia nesta sexta feira, 11 de setembro, uma nova etapa de sua campanha eleitoral com uma ofensiva política na Região Sul do país. O objetivo é ampliar a presença do candidato em uma área onde seu desempenho aparece abaixo do registrado em outras regiões e onde o senador Flávio Bolsonaro (PL) apresenta vantagem nas pesquisas de segundo turno.
A agenda começa pelo Rio Grande do Sul. Lula participa nesta sexta feira de um ato de campanha em Porto Alegre, no Centro Histórico da capital gaúcha. No sábado, 12 de setembro, o presidente segue para Curitiba, onde realizará um comício na Boca Maldita, tradicional ponto de manifestações políticas da capital paranaense.
A agenda em Santa Catarina, que também fazia parte do roteiro inicial, foi adiada para 19 de setembro.
Segundo levantamento do Real Time Big Data citado por O TEMPO, a diferença entre os dois principais nomes da disputa aparece de forma significativa no segundo turno em estados importantes da região. No Paraná, Flávio Bolsonaro registra 52% das intenções de voto contra 34% de Lula. No Rio Grande do Sul, o cenário aponta 53% para Flávio e 42% para Lula.
Sul se transforma em território estratégico
A movimentação de Lula ocorre justamente em uma região que, historicamente, tem apresentado maior resistência ao campo político petista e maior afinidade eleitoral com o bolsonarismo.
Paraná e Rio Grande do Sul estão entre os maiores colégios eleitorais do Brasil. Por isso, mesmo uma diferença aparentemente localizada pode representar milhões de votos no resultado nacional.
A estratégia da campanha petista é, portanto, diminuir a distância onde ela é maior.
No Rio Grande do Sul, Lula estará acompanhado da candidata ao governo estadual Juliana Brizola, do PDT, além dos candidatos ao Senado Paulo Pimenta, do PT, e Manuela d’Ávila, do PSOL.
Em Curitiba, o presidente deverá dividir o palanque com Requião Filho, candidato ao governo do Paraná, além de Gleisi Hoffmann e Dr. Rosinha, ambos candidatos ao Senado pelo PT.
Curitiba tem peso político e simbólico
A passagem de Lula por Curitiba também carrega um forte componente simbólico.
Foi na capital paranaense que o então ex presidente permaneceu preso durante 580 dias, após condenações relacionadas à Operação Lava Jato. As condenações foram posteriormente anuladas pelo Supremo Tribunal Federal.
O contexto político atual torna a passagem pela cidade ainda mais relevante.
O senador Sergio Moro, que participou diretamente daquele processo como juiz, disputa atualmente o governo do Paraná e aparece na liderança das pesquisas estaduais.
Segundo levantamento do Real Time Big Data citado por O TEMPO, Moro aparece com 35% das intenções de voto, enquanto Sandro Alex registra 23% e Requião Filho, apoiado por Lula, aparece com 20%.
No Rio Grande do Sul, a disputa pelo governo estadual também apresenta equilíbrio. Juliana Brizola aparece tecnicamente empatada com o candidato bolsonarista Luciano Zucco, com 35% e 36%, respectivamente, de acordo com o mesmo instituto.
Pesquisa nacional mostra uma disputa cada vez mais apertada
A ofensiva de Lula no Sul acontece em um momento de forte competitividade na corrida presidencial.
Pesquisa AtlasIntel em parceria com a Bloomberg, divulgada em 10 de setembro, mostra Lula na liderança do primeiro turno, com 43% das intenções de voto. Flávio Bolsonaro aparece na segunda posição, com 37,4%.
A diferença de 5,6 pontos, entretanto, não se traduz automaticamente em segurança para o atual presidente.
No segundo turno, o levantamento aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro, considerando a margem de erro de um ponto percentual. O levantamento ouviu 5 mil eleitores entre os dias 4 e 9 de setembro e foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR 01452/2026.
É justamente nesse cenário que cada região passa a ter importância ampliada.
Uma eleição decidida por diferenças regionais
A disputa presidencial de 2026 apresenta um desenho diferente daquele observado em eleições menos polarizadas.
Com Lula mantendo vantagem no primeiro turno nacional, mas enfrentando um cenário muito mais apertado nas simulações de segundo turno, a capacidade de cada candidato de ampliar sua votação em regiões onde possui menor desempenho pode ser determinante.
O Sul, nesse contexto, aparece como uma das principais áreas de crescimento possíveis para Lula.
O presidente já realizou atos de campanha em estados do Sudeste e do Nordeste. As agendas desta semana representam suas primeiras atividades eleitorais fora dessas duas regiões.
A escolha do roteiro revela uma estratégia clara: levar o candidato diretamente a estados onde a oposição apresenta maior força eleitoral e tentar reduzir a diferença antes que a campanha entre em sua fase decisiva.
Flávio também mantém agenda fora do Sul
Enquanto Lula desembarca no Rio Grande do Sul, Flávio Bolsonaro cumpre agenda nesta sexta feira em Manaus, no Amazonas.
O candidato participa de compromissos ligados à campanha, incluindo uma visita à fábrica da Moto Honda e um comício no bairro Ponta Negra.
A movimentação dos dois principais candidatos mostra que a disputa presidencial já entrou em uma fase na qual presença física, mobilização regional e capacidade de transferência de votos dos aliados estaduais passam a ter papel relevante.
O que está em jogo
Mais do que uma sequência de comícios, o giro de Lula pelo Sul representa uma tentativa de alterar um dos principais mapas de dificuldade eleitoral de sua campanha.
A questão central é saber se a presença do presidente será suficiente para reduzir a vantagem de Flávio Bolsonaro ou se o eleitorado da região manterá o comportamento apontado pelas pesquisas.
A eleição, porém, ainda está em movimento. Pesquisas registram o cenário no momento em que são realizadas e não representam o resultado das urnas.
Com a campanha avançando e a disputa nacional apresentando diferença cada vez menor entre os principais candidatos, cada estado passa a ser tratado como uma peça importante no cálculo eleitoral.
No caso do Sul, a missão de Lula é objetiva: perder menos.
E, em uma eleição apertada, perder menos em uma região estratégica pode significar ganhar a eleição nacional.