três nomes experientes que também entram no radar de Minas
A disputa por uma das 53 cadeiras de Minas Gerais na Câmara dos Deputados não será definida apenas pelos candidatos que possuem origem ou base política no Norte de Minas.
Minas Gerais tem 749 candidatos registrados para deputado federal em 2026. Em uma eleição dessa dimensão, parlamentares com mandato, estrutura partidária e presença construída ao longo de anos também entram na disputa pela manutenção e ampliação de suas bases.
Neste quarto capítulo da série “Quem quer o voto do Norte de Minas?”, o Aqui Acontece acompanha três nomes que representam justamente esse perfil: Fred Costa, Leonardo Monteiro e Mário Heringer.
Nenhum dos três é apresentado aqui como representante originário do Norte de Minas. O objetivo é outro: entender por que parlamentares experientes podem entrar no radar eleitoral da região e quais são os ativos políticos que carregam para mais uma eleição.
Fred Costa: liderança partidária e uma estrutura que alcança Minas
Fred Costa, número 2533, disputa novamente uma vaga de deputado federal pelo PRD.
Natural de Belo Horizonte, ele exerce mandato na Câmara dos Deputados no período de 2023 a 2027. Em 2026, ocupa a liderança do PRD na Câmara e exerce a primeira vice-presidência da Comissão de Legislação Participativa.
Sua atuação parlamentar reúne diferentes temas, mas a defesa dos animais é uma das pautas pelas quais seu nome ganhou maior reconhecimento público.
Há, porém, outro dado relevante para esta análise.
As emendas aprovadas por Fred Costa para o orçamento de 2026 incluem recursos destinados a Minas Gerais em áreas como atenção primária à saúde, assistência hospitalar e transferências especiais. Somados, os valores autorizados registrados pela Câmara ultrapassam R$ 30 milhões.
Esse número ajuda a dimensionar a capacidade institucional de um deputado federal.
Mas é importante separar duas coisas.
Emenda parlamentar é instrumento de atuação política. Não é sinônimo automático de voto.
A existência de recursos destinados ao Estado mostra presença institucional, mas não permite concluir, isoladamente, onde está a força eleitoral do parlamentar.
É justamente essa diferença que interessa à análise.
Fred Costa possui estrutura e posição dentro do Congresso. A questão eleitoral é saber até onde essa estrutura consegue alcançar regiões nas quais sua presença política seja menor.
E, no caso do Norte de Minas, essa resposta dependerá da construção de alianças, da presença nos municípios e da capacidade de transformar atuação parlamentar em identificação com o eleitor.
Leonardo Monteiro: mais de duas décadas no Congresso
Leonardo Monteiro, número 1363, é um dos parlamentares mais experientes entre os candidatos que estamos acompanhando.
Natural de Governador Valadares, exerce mandato pelo PT e está na Câmara dos Deputados desde 2003. Em 2026, integrou a Comissão de Trabalho, a Comissão de Legislação Participativa e a comissão externa responsável pelo acompanhamento da fiscalização dos rompimentos de barragens e da repactuação relacionada ao tema.
São mais de duas décadas de atuação parlamentar.
Esse tempo de Congresso representa um ativo evidente. Monteiro conhece o funcionamento da Câmara, acumulou experiência em diferentes legislaturas e construiu uma rede política ao longo de sucessivas eleições.
Mas a longevidade também traz uma questão legítima para qualquer análise eleitoral.
Como um parlamentar com uma trajetória tão longa consegue renovar sua conexão com um eleitorado que muda de geração, de prioridades e de comportamento político?
Essa pergunta ganha importância quando se observa um Estado territorialmente grande como Minas Gerais.
Monteiro não depende apenas da lembrança de seu nome. Precisa demonstrar que a experiência acumulada continua convertendo-se em representação política relevante.
Em 2026, sua atuação também está relacionada a temas de impacto regional, especialmente no acompanhamento da repactuação dos rompimentos de barragens, assunto que envolve reparação, desenvolvimento econômico e responsabilidades sobre territórios atingidos.
É uma pauta que ultrapassa os limites de um município e alcança diferentes regiões mineiras.
A candidatura de Monteiro, portanto, carrega dois ativos importantes: experiência e presença institucional.
A incógnita é eleitoral.
Mário Heringer: experiência parlamentar e forte volume de recursos
Mário Heringer, número 1234, disputa novamente uma vaga de deputado federal pelo PDT.
Médico e natural de Manhumirim, exerce mandato na Câmara e está no Congresso desde 2003. Em 2026, participa de comissões e espaços parlamentares relacionados a temas como administração pública, meio ambiente e desenvolvimento sustentável.
Assim como Leonardo Monteiro, Heringer possui mais de duas décadas de experiência federal.
Mas um dado chama especialmente a atenção neste ano.
As emendas aprovadas de sua autoria para Minas Gerais em 2026 somam mais de R$ 31 milhões em valores autorizados, incluindo transferências especiais e recursos destinados ao custeio de serviços de saúde. Parte desses recursos já aparece como empenhada e paga nos registros oficiais.
Mais uma vez, é necessário fazer a distinção.
O volume de recursos destinados ao Estado demonstra capacidade de articulação orçamentária, mas não determina sozinho o desempenho eleitoral.
A eleição proporcional possui outras variáveis: votação individual, desempenho da legenda ou federação, alianças, presença territorial e capacidade de mobilização.
Heringer chega à disputa, portanto, com um patrimônio político construído durante muitos anos.
A pergunta é se esse patrimônio continua competitivo em um cenário eleitoral no qual novas lideranças surgem, partidos disputam espaços cada vez mais fragmentados e o eleitor está menos preso às antigas estruturas políticas.
Três trajetórias, um mesmo desafio
Fred Costa, Leonardo Monteiro e Mário Heringer não possuem a mesma origem política nem atuam exatamente nas mesmas áreas.
Fred Costa chega com liderança partidária e uma atuação pública fortemente associada à proteção animal.
Leonardo Monteiro carrega uma das trajetórias mais longas da Câmara e mantém atuação em temas relacionados ao trabalho e ao desenvolvimento regional.
Mário Heringer apresenta também longa experiência parlamentar e forte presença no orçamento federal destinado a Minas.
São ativos políticos diferentes.
Mas existe uma característica comum: os três já conhecem Brasília e precisam convencer o eleitor de que ainda têm espaço para ocupar uma cadeira na próxima legislatura.
Para o Norte de Minas, a análise precisa ir além da pergunta sobre quem é conhecido.
É preciso observar quem possui presença efetiva na região, quais municípios receberam recursos, quais pautas foram defendidas e que tipo de relação política cada parlamentar construiu com o interior.
Esse será um dos critérios que o Aqui Acontece seguirá utilizando nos próximos capítulos.
Não se trata de escolher favoritos.
Trata-se de entender o cenário.
Porque, em uma eleição proporcional, currículo, mandato e estrutura podem ajudar uma candidatura.
Mas, no fim, são os votos que definem quem atravessa a porta de Brasília.
A série continua
Nos próximos capítulos, outros nomes entram no radar do Aqui Acontece.
A proposta permanece a mesma:
mostrar quem disputa, de onde vem sua força e o que está em jogo.
Porque conhecer o nome que aparece na urna é apenas o primeiro passo.
Entender a trajetória, a estrutura e a presença política de cada candidato é o que permite ao eleitor fazer uma escolha consciente.