Investigação reúne relatos de 11 possíveis vítimas e apura suspeita de administração de substâncias em cães, procedimentos veterinários simulados e cobranças de até R$ 4 mil

A Polícia Civil de Minas Gerais cumpriu, na manhã desta quinta feira, mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva contra um homem investigado em Pirapora por suspeitas de maus tratos a animais, estelionato e exercício ilegal da medicina veterinária.

A investigação, conduzida pela Delegacia Regional de Polícia Civil de Pirapora, reúne relatos que apontam para uma possível sequência de atendimentos com características semelhantes. Até o momento, 11 possíveis vítimas foram identificadas.

De acordo com a Polícia Civil, o investigado seria proprietário de um estabelecimento destinado a banho e tosa de animais e ofereceria aos tutores o serviço de buscar os cães em suas residências.

É justamente durante esse atendimento que, segundo os investigadores, teria ocorrido parte da dinâmica atualmente apurada.

Animais apresentavam alterações após atendimento, segundo relatos

Conforme os elementos reunidos pela investigação, o suspeito teria administrado substâncias nos animais sem que os tutores soubessem, provocando alterações no estado de consciência dos cães.

Ainda segundo os relatos, alguns animais teriam apresentado sintomas como tontura, desmaios, convulsões e paralisia.

Diante da reação dos animais, os tutores teriam recebido informações de que os cães poderiam ter sido vítimas de envenenamento, picadas de animais peçonhentos ou ingestão de objetos.

Segundo a Polícia Civil, a partir desse cenário de aparente emergência, o investigado teria oferecido procedimentos para supostamente reverter o quadro e cobrado valores dos proprietários.

A investigação apura se essa dinâmica teria sido utilizada de forma deliberada para induzir os tutores a erro e gerar cobranças por procedimentos que não seriam necessários ou que não teriam sido realizados conforme apresentados.

Um dos casos envolve cobrança de aproximadamente R$ 4 mil

Em uma das ocorrências investigadas, uma tutora teria pago aproximadamente R$ 4 mil depois de ser informada de que seu animal precisaria passar por um procedimento cirúrgico.

Desconfiada, a tutora levou posteriormente o cão a um médico veterinário. Segundo o relato apresentado à Polícia Civil, o profissional teria constatado que não havia sido realizada uma cirurgia, mas apenas um corte seguido de sutura.

Ainda conforme o relato, o procedimento teria provocado complicações no animal.

Após ser confrontado pela tutora, o investigado teria devolvido o valor pago.

Em outro caso analisado pelos investigadores, um cão que, segundo a tutora, era saudável teria recebido uma injeção na região da cabeça. Depois disso, o animal teria passado a apresentar episódios recorrentes de convulsão.

Os relatos fazem parte do conjunto de informações que agora serão confrontadas com os demais elementos reunidos pela Polícia Civil.

Investigação busca identificar outras possíveis vítimas

A existência de 11 relatos com circunstâncias semelhantes levou a Polícia Civil a considerar a possibilidade de que outras pessoas possam ter passado por situações semelhantes sem registrar ocorrência.

Por isso, a investigação permanece aberta.

A identificação de eventuais novas vítimas poderá ajudar os investigadores a estabelecer a extensão dos fatos, verificar a existência de um possível padrão de atuação e reunir elementos para individualizar cada ocorrência.

A Polícia Civil também deverá analisar documentos, depoimentos e demais materiais eventualmente apreendidos durante o cumprimento dos mandados.

O que pode acontecer se os fatos forem comprovados?

A investigação envolve três frentes criminais mencionadas pela Polícia Civil.

No caso de maus tratos contra cães e gatos, o artigo 32 da Lei de Crimes Ambientais prevê reclusão de 2 a 5 anos, multa e proibição da guarda. Se houver morte do animal, a pena pode ser aumentada de um sexto a um terço.

No caso de estelionato, o artigo 171 do Código Penal prevê atualmente pena de reclusão de 1 a 5 anos e multa, conforme a legislação vigente.

Já o exercício ilegal da medicina veterinária passou a ter previsão expressa no artigo 282 do Código Penal após alteração promovida pela Lei nº 15.425, de 2026. A conduta pode resultar em detenção de 6 meses a 2 anos e, quando praticada com finalidade de lucro, também em multa. A legislação estabelece ainda consequências adicionais quando a prática resulta em lesão ou morte de animal, com possibilidade de responsabilização também pelo crime previsto na Lei de Crimes Ambientais.

É importante destacar que essas penas não podem ser simplesmente somadas de forma automática. Eventual condenação dependerá da prova produzida, da individualização das condutas, do enquadramento jurídico feito no processo e da decisão da Justiça.

Prisão não representa condenação

O homem preso é investigado e não foi condenado pelos crimes apurados.

A prisão preventiva é uma medida cautelar determinada no curso da investigação ou do processo e não representa, por si só, uma conclusão definitiva sobre a responsabilidade criminal.

O caso seguirá para as próximas etapas da investigação e, posteriormente, poderá ser submetido à análise do Ministério Público e do Poder Judiciário.

O Aqui Acontece procurará ouvir o investigado ou sua defesa. O espaço permanece aberto para manifestação, esclarecimentos ou contestação das informações apresentadas nesta reportagem.

Caso chama atenção para a proteção dos animais e a fiscalização profissional

Além da dimensão criminal, a investigação coloca em evidência uma questão que interessa diretamente aos tutores de animais: a importância de verificar a habilitação dos profissionais responsáveis por procedimentos veterinários e buscar atendimento devidamente qualificado diante de qualquer alteração na saúde do animal.

Se confirmados os fatos investigados, o caso poderá envolver não apenas prejuízos financeiros aos tutores, mas também consequências físicas para os animais atendidos.

Por enquanto, porém, o que existe é uma investigação em andamento, com 11 possíveis vítimas identificadas e diligências destinadas a esclarecer o que efetivamente ocorreu em cada caso.

A Polícia Civil informou que continuará trabalhando para identificar outras possíveis vítimas, reunir provas e esclarecer integralmente os fatos.

A operação foi realizada pela equipe da Delegacia Regional de Polícia Civil de Pirapora, sob coordenação do chefe do Departamento, Carlos Eduardo Santos Rodrigues, do delegado regional Diego Mattos Vilhena e do delegado responsável Rafael Lima, com participação dos investigadores Jairo, Marília, Daniel Ricardo e Hudson e do escrivão Antonio Miguel.

O Aqui Acontece acompanha o caso e atualizará esta reportagem à medida que novas informações oficiais forem divulgadas.

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