Deputado estadual eleito pelo PL afirma que governos Zema e Simões deixaram de discutir alternativas para enfrentar o passivo e propõe revisão dos cálculos da dívida com a União
A dívida de Minas Gerais voltou ao centro do debate político após declarações do deputado estadual eleito Vittorio Medioli (PL), que criticou a forma como os governos de Romeu Zema (Novo) e Mateus Simões (PSD) conduziram a questão fiscal do Estado.
Em entrevista ao programa Café com Política, de O TEMPO, exibido nesta quarta feira, 7 de outubro, Medioli afirmou que diferentes alternativas para enfrentar o endividamento não teriam sido discutidas pelas administrações anteriores.
Na avaliação do parlamentar eleito, o problema não pode ser tratado apenas como uma questão de renegociação do débito. Para ele, antes de discutir novas condições de pagamento, o Estado deveria revisar a própria origem e os cálculos que levaram ao valor atualmente considerado.
Medioli afirmou que já conversou com o governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), e sugeriu a realização de uma auditoria da dívida do Estado com a União.
Segundo o deputado eleito, a revisão poderia identificar eventuais inconsistências na formação do débito e até alterar o valor efetivamente devido.
Medioli questiona estratégia adotada nos últimos governos
Ao comentar a condução da dívida durante os últimos anos, Medioli afirmou que Minas não teria adotado medidas suficientes para enfrentar o passivo de forma efetiva.
Para ele, o cenário chama atenção porque, apesar da dimensão da dívida, alternativas que poderiam ser utilizadas para reduzir o problema não teriam avançado.
A crítica alcança tanto a gestão de Romeu Zema quanto a de Mateus Simões, que assumiu o governo estadual após a saída de Zema para disputar a Presidência da República.
Medioli classificou como preocupante a ausência de uma contestação mais incisiva sobre a evolução do débito e questionou se o problema decorreu de despreparo, incompetência ou de uma estratégia deliberada. A declaração, entretanto, representa uma avaliação política do próprio deputado eleito e não uma conclusão comprovada sobre a conduta dos governos citados.
Auditoria aparece como primeiro passo
Uma das principais propostas apresentadas por Medioli é a realização de uma auditoria completa da dívida de Minas com a União.
Segundo ele, seria necessário verificar como o débito foi calculado e quais índices de juros e correção foram aplicados ao longo dos anos.
O parlamentar eleito citou sua experiência como prefeito de Betim para defender a medida. De acordo com Medioli, durante sua administração foram identificadas inconsistências relacionadas à aplicação de juros e correções sobre dívidas municipais, o que teria contribuído para a redução do saldo devedor.
A proposta, portanto, parte de uma premissa diferente da simples negociação política: antes de definir como pagar, seria necessário verificar exatamente quanto Minas deve e como esse valor foi constituído.
Dívida ultrapassa R$ 200 bilhões
A situação fiscal de Minas é um dos principais desafios que estarão sobre a mesa do próximo governo estadual.
Durante a campanha eleitoral, a dívida pública foi um dos principais pontos de divergência entre os candidatos ao Governo de Minas. Estimativas apresentadas durante o período eleitoral apontaram um passivo superior a R$ 200 bilhões, considerando o conjunto das obrigações do Estado.
A dívida com a União é o principal componente desse passivo e se tornou um dos temas centrais das discussões sobre o futuro das contas públicas mineiras.
O Estado aderiu ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados, conhecido como Propag, que estabeleceu novas condições para o pagamento dos débitos estaduais. O modelo envolve mecanismos de redução do custo financeiro e utilização de ativos estaduais dentro das regras estabelecidas pelo programa.
O debate, porém, continua sendo político e econômico: como reduzir o estoque da dívida sem comprometer a capacidade de investimento do Estado e sem transferir uma conta ainda maior para os próximos governos.
Críticas também atingem recursos da Vale
Medioli também questionou a forma como o governo estadual administra os recursos destinados a Minas Gerais como reparação pelos danos provocados pelo rompimento da barragem em Brumadinho.
Na avaliação dele, faltaria maior clareza sobre a destinação desses recursos.
O deputado eleito também criticou a utilização de recursos para a municipalização de trechos de rodovias durante o período eleitoral, classificando a medida como uma estratégia de caráter eleitoral.
Novamente, trata se de uma avaliação política feita por Medioli durante a entrevista e não de uma conclusão independente sobre a aplicação dos recursos.
Rodoanel também entra na crítica
Outro ponto mencionado pelo deputado eleito foi o projeto do Rodoanel, iniciativa conduzida pelo governo de Minas.
Medioli questionou a estratégia adotada pelo Estado em relação ao empreendimento, ampliando sua crítica para além da dívida e incluindo decisões de infraestrutura e aplicação de recursos públicos.
As declarações ocorrem justamente no momento em que Minas inicia uma nova etapa política após as eleições de 4 de outubro, com a definição do próximo governo estadual e de uma nova composição da Assembleia Legislativa.
O desafio para o próximo governo
A discussão levantada por Vittorio Medioli coloca uma questão central para a próxima administração mineira: como enfrentar uma dívida bilionária sem comprometer o funcionamento do Estado e sua capacidade de investir em áreas essenciais.
A proposta de auditoria defendida pelo deputado eleito também deve provocar debate sobre a composição do passivo, os critérios utilizados para sua atualização e as responsabilidades de diferentes governos ao longo dos anos.
Mais do que uma disputa sobre números, o tema terá impacto direto sobre a capacidade de Minas Gerais de investir em saúde, educação, segurança, infraestrutura e desenvolvimento regional.
Para o próximo governo, a questão fiscal deverá estar entre as prioridades desde o início da gestão.
Medioli defende que o primeiro passo seja justamente revisar a dívida antes de aceitar como definitivo o valor atualmente apresentado.
O debate, agora, deverá sair do período eleitoral e entrar na agenda concreta da próxima administração estadual.



