O governo do Paraguai oficializou uma mudança estratégica na sua política energética: pelo menos 50% do etanol utilizado na mistura com combustíveis deverá ser produzido a partir da cana-de-açúcar nacional. A medida foi estabelecida por decreto assinado pelo presidente Santiago Peña e regulamenta a nova Lei do Etanol no país.
A decisão tem como principal objetivo fortalecer a produção interna, impulsionar o setor sucroalcooleiro e gerar empregos, além de reduzir a dependência de combustíveis fósseis e insumos importados.
Incentivo direto à produção nacional
Com a nova regra, o Paraguai passa a priorizar explicitamente o etanol produzido dentro do país. O decreto determina mecanismos de controle para garantir que a mistura obrigatória de álcool anidro à gasolina cumpra esse percentual mínimo de origem nacional.
Na prática, a medida cria uma demanda estável e previsível para produtores de cana-de-açúcar, estimulando investimentos no campo e na indústria.
Mudança faz parte de estratégia maior
A decisão não é isolada. O país já vinha avançando na política de biocombustíveis. Em 2025, o Paraguai elevou o percentual de etanol na gasolina para cerca de 30%, e agora aprofunda essa estratégia com foco na origem do combustível.
O movimento segue uma tendência global de incentivo a energias renováveis, buscando reduzir emissões e fortalecer a segurança energética.
Comparação com o Brasil
O avanço do Paraguai ocorre em paralelo ao debate no Brasil, onde o governo também discute ampliar a mistura de etanol na gasolina para até 32%.
Hoje, o Brasil já é referência mundial no uso de biocombustíveis, com níveis elevados de substituição da gasolina por etanol, especialmente em estados produtores.
Impactos esperados
Especialistas apontam que a medida pode gerar efeitos diretos:
• Expansão da produção agrícola de cana-de-açúcar
• Atração de investimentos industriais
• Geração de empregos no campo e na indústria
• Maior independência energética
• Estabilização do mercado interno de combustíveis
Cenário estratégico
Ao exigir que metade do etanol seja de origem nacional, o Paraguai adota uma política clara de proteção e estímulo à economia interna, algo que pode servir de referência para outros países da região.
A decisão reforça o protagonismo crescente dos biocombustíveis na matriz energética da América do Sul e sinaliza uma disputa estratégica por produção, tecnologia e mercado nos próximos anos.






