Presidente Lula revelou que enviou informações a Donald Trump sobre o empresário Ricardo Magro, apontado como “maior devedor do país” e alvo de investigações por sonegação fiscal e fraudes, e que pretende solicitar cooperação internacional em encontro bilateral.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, declarou que pretende solicitar ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apoio e cooperação para tomar providências em relação a um empresário brasileiro que, segundo ele, figura como um dos maiores devedores de tributos do país e está residindo em solo americano. A informação foi divulgada nos últimos dias à imprensa nacional, com base em declarações oficiais feitas por Lula em Nova Déli, na Índia, onde participa de eventos internacionais.
Embora o nome não tenha sido citado diretamente pelo presidente na coletiva de imprensa, a reportagem de veículos de imprensa identificou o empresário como Ricardo Magro, proprietário da empresa Refit, anteriormente chamada Refinaria de Manguinhos, no estado do Rio de Janeiro.
Magro é alvo de investigações da Receita Federal e da Polícia Federal por suspeitas de sonegação fiscal em bilhões de reais no setor de combustíveis, especialmente relacionadas a operações da Refit. A empresa foi alvo da chamada Operação Carbono Oculto, considerada uma das maiores ações contra fraudes tributárias e vinculada ao crime organizado no mercado de combustíveis.
De acordo com material jornalístico, o presidente Lula informou que já teria encaminhado dados e documentos ao governo norte-americano como parte do compartilhamento de informações para que a Justiça dos EUA avalie medidas de cooperação internacional. A intenção é solicitar extradição ou outras formas de auxílio jurídico e policial para que o empresário responda por seus débitos e possíveis crimes no Brasil.
Perfil de Ricardo Magro
Ricardo Magro tem histórico de controvérsias e aparece em investigações de grande impacto fiscal e criminal. Entre os fatos públicos relacionados à sua trajetória estão:
· A atuação à frente da Refit, empresa de combustíveis que operava no Rio de Janeiro e foi alvo de operações policiais ligadas a sonegação de impostos em valores bilionários.
· Investigação pela Operação Carbono Oculto, que apurou fraudes fiscais e desvios no setor.
· Presença em documentos internacionais como os Panama Papers, que mostraram a existência de empresas offshore em paraísos fiscais.
· Histórico de prisão em 2016 em investigação sobre fraudes em fundos de pensão; Magro se entregou à Polícia Federal na ocasião.
· Ele nega as irregularidades e afirma que está questionando as cobranças da Receita Federal na Justiça, sem que haja condenações definitivas ou mandados de prisão em aberto.
Contexto da declaração de Lula
A intenção de Lula de pedir apoio a Trump ocorre no contexto de uma agenda diplomática mais ampla e de tentativa de cooperação bilateral em temas como economia, segurança e ações transnacionais contra o crime organizado. Lula tem anunciado sua expectativa de encontro com Trump em Washington no início de março de 2026, quando pretende reforçar pontos de cooperação sobre comércio, imigração, investimentos e outros interesses estratégicos entre Brasil e Estados Unidos.
O que muda com pedido de cooperação
Pedidos de cooperação internacional como extradição ou troca de informações judiciais entre países dependem de tratativas formais entre autoridades, com base em acordos bilaterais e legislação de cada nação. Se formalizado, o pedido brasileiro será analisado pelas instituições competentes dos EUA, que podem autorizar, negar ou condicionar qualquer ação judicial.
Especialistas em direito internacional observam que casos dessa natureza tendem a envolver longos trâmites jurídicos, com participação de Ministérios Públicos, autoridades diplomáticas e tribunais superiores, e não necessariamente resultam em decisões imediatas.
Repercussão
A declaração do presidente Lula provocou reações diversas no meio político e jurídico, com governistas defendendo a importância de cooperação internacional para combate ao crime e à sonegação fiscal, enquanto críticos chamam atenção para a necessidade de provas robustas e respeito ao devido processo legal.
Governos e setores empresariais acompanham o caso com atenção, diante do impacto que medidas de extradição ou sanções internacionais podem ter no ambiente de negócios e nas relações diplomáticas.







