Investidores demonstram apreensão diante de mudanças nas tarifas americanas e tensões globais, pressionando o câmbio e impactando os mercados financeiros brasileiros.
O dólar comercial apresentou alta moderada no Brasil nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, em meio a um cenário de cautela global causado por ajustes na política tarifária dos Estados Unidos e incertezas nos mercados internacionais.
Segundo dados no mercado financeiro, a moeda norte-americana subiu 0,24%, sendo cotada em cerca de R$ 5,1820 à vista no mercado brasileiro pela manhã. No mercado futuro da B3, o contrato mais negociado para março teve movimento de alta de aproximadamente 0,14%, negociado próximo de R$ 5,1865. Comparativamente, no dia anterior segunda-feira o dólar havia encerrado em leve queda de 0,14%, cotado em R$ 5,1693.
Cautela com política tarifária dos EUA
O comportamento do câmbio reflete a incerteza de investidores internacionais diante das mudanças na política de tarifas dos Estados Unidos. O governo norte-americano passou a aplicar uma tarifa adicional de 10% sobre produtos não cobertos por isenções, segundo relatório de autoridades aduaneiras dos EUA. Esta medida faz parte de uma série de ajustes na política comercial que preocupa mercados por não oferecer diretrizes completamente claras sobre impacto futuro nas trocas internacionais e na cadeia produtiva global.
A oscilação do dólar também acontece em meio a tensões geopolíticas globais, incluindo preocupações com relações entre os Estados Unidos e o Oriente Médio, outro fator que estimula movimentos de busca por ativos considerados mais seguros como o dólar em momentos de risco internacional.
Impacto no mercado financeiro brasileiro
A movimentação cambial ocorre em um contexto em que o mercado financeiro brasileiro atravessa fases de ajuste e sensibilidade a fatores externos. A alta do dólar geralmente influencia setores ligados a commodities e exportadores brasileiros, podendo reduzir a atratividade de importações e beneficiar receitas em moeda estrangeira. Por outro lado, também pode pressionar setores que dependem de insumos e matérias-primas importadas.
Ainda assim, o cenário é de volatilidade: nos últimos dias, o dólar já havia registrado queda e até atingido mínimos históricos recentes, segundo dados de fechamento no início da semana que mostraram a moeda ao redor de R$ 5,16, o menor valor em mais de 20 meses antes de voltar a subir novamente.
Perspectiva de mercado
Analistas apontam que oscilações como essa podem continuar nos próximos dias, especialmente se persistirem dúvidas sobre o rumo da política tarifária dos EUA e seu impacto nas cadeias de importação e exportação globais. Fatores como decisões de política monetária, índices de inflação internacional e tensões geopolíticas também influenciam o comportamento do dólar frente ao real.
Investidores e agentes do mercado financeiro devem acompanhar de perto as próximas divulgações de indicadores econômicos internacionais e as possíveis mudanças nas regras comerciais dos Estados Unidos para entender a direção do câmbio no curto e médio prazos.







