A Polícia Federal está estruturando uma operação nacional para identificar e impedir a participação de candidatos ligados ao crime organizado nas eleições de 2026. A informação foi divulgada neste domingo pelo jornal O Tempo e confirmada por declarações de integrantes da corporação.
Segundo a reportagem, o trabalho da PF começará oficialmente após o registro das candidaturas, previsto para agosto deste ano, quando os nomes aptos a disputar cargos como presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual serão oficialmente apresentados à Justiça Eleitoral.
O objetivo é claro: rastrear possíveis vínculos entre candidatos e facções criminosas como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, além de outras organizações investigadas em diferentes regiões do país.
Estratégia da PF inclui cruzamento de dados e investigações rápidas
De acordo com o delegado Adriano Gechele, responsável por investigações em Minas Gerais, a operação utilizará sistemas nacionais da PF para cruzamento de dados pessoais, financeiros e criminais dos candidatos. Caso sejam encontrados indícios de ligação com organizações criminosas, inquéritos poderão ser instaurados imediatamente.
A intenção da corporação é concluir parte das investigações ainda durante o período eleitoral para encaminhar os resultados à Justiça Eleitoral. Dependendo das provas encontradas, candidaturas podem até ser barradas ou cassadas antes mesmo da votação.
O delegado afirmou ainda que algumas apurações podem ser concluídas em menos de um mês, acelerando a resposta das autoridades diante de suspeitas consideradas graves.
Crime organizado preocupa autoridades eleitorais
Nos bastidores de Brasília, cresce a preocupação sobre a infiltração do crime organizado na política brasileira. Relatórios recentes apontam que facções criminosas vêm tentando ampliar influência em câmaras municipais, prefeituras e estruturas públicas em várias regiões do país.
Em São Paulo, investigações do Ministério Público apontaram a atuação de grupos ligados ao PCC em esquemas de licitações públicas e financiamento político. Já no Rio de Janeiro, operações recentes investigaram suspeitas de apoio territorial e financeiro de facções a candidaturas municipais.
Dados citados pela Justiça Eleitoral indicam que dezenas de candidatos investigados por ligação com organizações criminosas disputaram eleições anteriores no Brasil. Parte deles chegou a ser eleita.
Governo federal também amplia ofensiva contra facções
A movimentação da PF acontece em meio ao endurecimento do discurso nacional contra o crime organizado. O governo federal prepara um programa específico de enfrentamento às facções criminosas, batizado de “Brasil Contra o Crime Organizado”, segundo informações divulgadas pela Agência Brasil.
O diretor geral da PF, Andrei Rodrigues, já havia declarado em eventos ligados ao Tribunal Superior Eleitoral que a corporação pretende atuar de forma integrada para impedir compra de votos, lavagem de dinheiro eleitoral e interferência criminosa nas eleições deste ano.
Democracia sob alerta
Especialistas em segurança pública e direito eleitoral avaliam que o avanço das facções sobre estruturas políticas representa uma ameaça direta à democracia brasileira. O temor das autoridades é que organizações criminosas passem a utilizar mandatos eletivos como instrumentos de proteção institucional, influência territorial e movimentação financeira.
A ofensiva da PF sinaliza que as eleições de 2026 devem ocorrer sob um dos maiores esquemas de monitoramento eleitoral já realizados no país, com foco especial no combate à infiltração do crime organizado na política brasileira.






