A entrada de Aécio Neves (PSDB) na corrida por uma das duas vagas ao Senado em Minas Gerais provocou uma nova movimentação no cenário eleitoral de 2026. O nome do ex governador, ex senador e atual deputado federal foi oficialmente registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nesta terça feira, 1º de setembro, poucos dias depois de ele anunciar que havia mudado de decisão e disputaria novamente uma eleição.
A mudança não é apenas uma troca de nomes na lista de candidatos. Ela altera uma disputa que, até poucas semanas atrás, parecia caminhar para uma configuração diferente.
Aécio havia anunciado que não concorreria a nenhum cargo nas eleições deste ano, depois de quatro décadas de atuação política. A decisão, porém, foi revista após articulações dentro do PSDB e da coligação formada pelo PDT e pela federação PSDB Cidadania.
Para abrir espaço para sua candidatura, Gustavo Galassi, do PSDB, e Marcelo Heringer, do PDT, deixaram a disputa pelo Senado. Com isso, o número de candidatos passou de 17 para 16.
UM NOME QUE JÁ APARECIA BEM NAS PESQUISAS
A volta de Aécio à disputa chama atenção também porque seu nome já aparecia em pesquisas eleitorais antes mesmo de sua candidatura ser oficializada.
Em abril, nos cenários em que foi apresentado, Aécio registrava 11% das intenções de voto, enquanto Carlos Viana aparecia com 10%. Marília Campos liderava com 19%.
Em julho, Aécio chegou a 16% nos cenários em que seu nome foi incluído. Marília Campos registrava entre 18% e 20%, enquanto Carlos Viana aparecia com 11% nos cenários em que os dois eram apresentados.
Esses números ajudam a explicar por que sua entrada não pode ser tratada apenas como uma candidatura a mais.
Aécio já possuía um nível de conhecimento elevado entre os eleitores mineiros e, mesmo antes da confirmação oficial, aparecia entre os nomes mais competitivos da corrida.
O CENÁRIO MUDOU QUANDO AÉCIO SAIU
Quando Aécio anunciou que não seria candidato, as pesquisas passaram a apresentar outro desenho.
Na pesquisa espontânea do Datafolha divulgada em 21 de agosto, Marília Campos apareceu com 11%, seguida por Carlos Viana, com 8%, e Domingos Sávio, com 6%.
Na pesquisa espontânea da Quaest, divulgada em 25 de agosto, Marília tinha 15%, enquanto Carlos Viana e Domingos Sávio apareciam com 8% cada.
Agora, com Aécio oficialmente de volta, o eleitorado será novamente medido considerando seu nome.
É justamente aí que está uma das principais perguntas desta eleição: de onde virão os votos de Aécio?
A resposta poderá definir quem sentirá mais diretamente os efeitos de sua candidatura.
A DISPUTA PODE APERTAR NO CENTRO
A entrada do tucano tende a aumentar a pressão principalmente sobre candidatos que disputam o eleitorado de centro e setores mais tradicionais da política mineira.
Carlos Viana, Marcelo Aro e outros nomes que estavam buscando espaço nesse campo agora passam a enfrentar uma concorrência de um político com longa trajetória eleitoral e forte reconhecimento no estado.
Ao mesmo tempo, a presença de Aécio não significa automaticamente que as demais candidaturas perderão espaço.
Marília Campos, que aparece na liderança em diferentes levantamentos, possui uma base eleitoral própria e representa um campo político distinto. Domingos Sávio, por sua vez, disputa espaço entre eleitores identificados com a direita e o bolsonarismo.
Por isso, a eleição para o Senado em Minas pode se transformar em uma disputa ainda mais fragmentada, na qual cada candidatura precisará encontrar seu espaço com clareza.
“MUDANÇA DE ROTA”
Ao anunciar sua candidatura, Aécio afirmou que reconsiderou a decisão depois de receber apelos de lideranças de diferentes regiões do estado.
Segundo o candidato, Minas Gerais atravessa uma situação que exige uma representação maior no Senado.
Aécio também apresentou a candidatura como uma tentativa de reorganizar o campo político de centro e afirmou que pretende trabalhar em um projeto para 2030 sem radicalização.
A declaração revela que sua candidatura não está sendo apresentada apenas como um projeto eleitoral imediato.
O tucano tenta também reposicionar o PSDB e seu próprio grupo político em um cenário nacional marcado pela polarização entre lulismo e bolsonarismo.
UMA ELEIÇÃO QUE AINDA ESTÁ LONGE DE ESTAR DEFINIDA
Apesar da movimentação provocada pela entrada de Aécio, ainda é cedo para afirmar quem ocupará as duas cadeiras destinadas a Minas Gerais no Senado.
Pesquisas recentes mostram um número expressivo de eleitores indecisos e diferenças importantes entre os levantamentos. Além disso, a campanha ainda terá tempo para apresentar propostas, confrontar trajetórias e, principalmente, alterar a percepção do eleitor.
A eleição para o Senado tem uma característica própria: o eleitor mineiro poderá escolher dois nomes.
Isso torna a disputa diferente daquela travada para governador ou deputado. Um eleitor pode, por exemplo, combinar candidatos de diferentes partidos e campos ideológicos.
Na prática, a pergunta que começa a ganhar força em Minas não é apenas quem está liderando.
É quem conseguirá construir uma segunda vaga competitiva ao lado de quem estiver na frente.
O QUE ESTÁ EM JOGO PARA MINAS
Aécio tem usado como uma das justificativas para sua candidatura a necessidade de fortalecer a representação de Minas no Senado, especialmente diante de temas considerados estratégicos para o estado.
Entre eles está a situação da dívida de Minas Gerais com a União, assunto que tem grande impacto sobre as contas públicas e sobre a capacidade de investimento do governo estadual.
O Senado também terá papel importante em debates nacionais que afetam diretamente os estados, desde questões fiscais e federativas até investimentos, infraestrutura e distribuição de recursos.
Por isso, a eleição de 2026 não envolve apenas nomes conhecidos da política mineira.
Envolve também a escolha de quem terá voz em Brasília em um momento de decisões importantes para o futuro financeiro e administrativo de Minas.
O ELEITOR MINEIRO AGORA TEM MAIS UMA PERGUNTA A RESPONDER
Aécio Neves saiu da disputa, anunciou que não seria candidato e, poucas semanas depois, voltou ao jogo.
Sua candidatura foi possível após uma reorganização dentro da coligação e agora oficialmente integra a disputa pelas duas cadeiras mineiras no Senado.
O efeito dessa mudança, porém, ainda precisa ser medido nas urnas.
As próximas pesquisas serão importantes para mostrar se Aécio conseguirá recuperar o desempenho que apresentava antes das convenções partidárias e, principalmente, quais candidaturas serão mais afetadas pela sua entrada.
Uma coisa, entretanto, já está clara: a disputa pelo Senado em Minas Gerais ganhou um novo capítulo e ficou consideravelmente mais imprevisível.
E, como costuma acontecer na política mineira, muita coisa ainda será decidida longe dos holofotes e, no fim, diante da urna.
Aqui Acontece acompanha os próximos movimentos da eleição em Minas Gerais, com informação, contexto e responsabilidade para ajudar o eleitor a entender o que está em jogo.