Fintech brasileira inicia operação nos Estados Unidos e apresenta conta multimoeda com transferências internacionais rápidas e sem tarifa entre clientes
O Nubank deu mais um passo em seu processo de expansão internacional. A instituição financeira brasileira anunciou nesta quinta feira, 10 de setembro, o início de suas operações nos Estados Unidos e, simultaneamente, apresentou a Nu Global, uma conta digital multimoeda que permite movimentações financeiras entre mais de 35 países.
O anúncio marca uma nova fase para a empresa, que começou sua trajetória no Brasil há 13 anos e posteriormente expandiu suas operações para México e Colômbia. Agora, o Nubank passa a mirar diretamente um dos mercados financeiros mais competitivos do mundo.
A estratégia representa uma mudança importante de escala. A empresa que nasceu com a proposta de transformar o sistema bancário brasileiro pretende agora construir uma plataforma financeira capaz de acompanhar clientes que vivem, trabalham, viajam ou mantêm relações financeiras em diferentes países.
Conta global conecta América Latina e Europa
A principal novidade apresentada pelo Nubank é a Nu Global, uma conta digital multimoeda voltada para pessoas com necessidades financeiras internacionais.
A plataforma permite enviar e receber dinheiro rapidamente entre mais de 35 países, incluindo mercados da América Latina e praticamente toda a Europa, segundo a empresa.
Entre clientes Nubank, as transferências internacionais são apresentadas como rápidas e sem tarifa de transferência. No caso de transferências destinadas ao Brasil, também é possível enviar dinheiro para qualquer chave Pix de qualquer banco brasileiro, de acordo com as condições divulgadas pela instituição.
A proposta é simplificar operações que tradicionalmente envolvem bancos intermediários, conversão de moedas e diferentes tarifas.
Na visão do Nubank, a experiência internacional deve se aproximar da simplicidade que os usuários já encontram em uma transferência digital dentro do próprio país.
Uma conta pensada para quem vive entre países
O lançamento atende a um público que cresceu nos últimos anos: pessoas que possuem uma vida financeira internacional.
São brasileiros que moram no exterior, estudantes, trabalhadores, profissionais que prestam serviços para empresas estrangeiras, pessoas que possuem familiares em outros países e consumidores que viajam com frequência.
Para esse público, manter diferentes contas e utilizar serviços distintos para cada moeda pode representar uma operação burocrática.
A proposta da conta global é concentrar parte dessa movimentação em uma única experiência digital.
A plataforma permite manter recursos em dólares digitais e euros digitais, com rendimento informado pelo Nubank de até 3,50% ao ano para dólares digitais e 2,20% ao ano para euros digitais, com liquidez diária.
O que são os dólares e euros digitais?
Um dos pontos que merece atenção no novo produto é a utilização de ativos digitais pareados às moedas tradicionais.
Segundo informações divulgadas pelo próprio Nubank, os recursos podem ser convertidos em dólares digitais, representados pela stablecoin USDC, e euros digitais, representados pela EURC.
A proposta é permitir que o cliente mantenha exposição digital a essas moedas e utilize os recursos para transferências e pagamentos internacionais.
A conta também prevê negociação de determinados ativos digitais, incluindo criptomoedas como Bitcoin, Ethereum e Solana.
Essa combinação coloca o Nubank em uma área que vai além do modelo tradicional de conta bancária.
A empresa passa a aproximar serviços bancários, pagamentos internacionais e ativos digitais dentro de uma mesma plataforma.
Entrada nos Estados Unidos é o principal movimento
Ao mesmo tempo em que anunciou a Nu Global, o Nubank confirmou oficialmente o início de sua operação nos Estados Unidos.
A instituição começa oferecendo produtos financeiros voltados ao cotidiano dos consumidores americanos, incluindo conta de depósito, cartão de crédito e cartão de débito.
Neste primeiro momento, a operação ocorre em parceria com o Lead Bank, instituição bancária americana segurada pela FDIC.
O Nubank já havia avançado no processo regulatório americano e recebeu aprovação condicional relacionada à sua estrutura bancária. A companhia ainda trabalha para obter todas as autorizações necessárias para operar de forma independente no país.
A operação americana será comandada por Cristina Junqueira, uma das cofundadoras do Nubank.
Estratégia começa pela comunidade latina
O mercado americano é muito maior e mais competitivo do que os mercados latino americanos nos quais o Nubank já atua.
Por isso, a estratégia inicial da companhia mira especialmente consumidores jovens e a população latina dos Estados Unidos.
O grupo latino americano representa uma oportunidade considerada estratégica pela fintech porque muitos desses consumidores já conhecem a marca por sua presença no Brasil, México ou outros países da região.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, o Nubank pretende investir entre US$ 200 milhões e US$ 300 milhões nos próximos dois anos para desenvolver sua operação americana.
A empresa também trabalha com uma visão de longo prazo para o mercado.
A expectativa é que a operação americana possa alcançar milhões de clientes ao longo dos próximos anos, embora a companhia reconheça que o negócio deverá exigir investimentos significativos antes de atingir maturidade.
Nubank já chega aos Estados Unidos com uma base gigantesca
A expansão internacional ocorre em um momento de forte crescimento da companhia.
No segundo trimestre de 2026, a Nu Holdings informou ter chegado a aproximadamente 139 milhões de clientes globalmente.
Somente no Brasil, a empresa se aproximava de 118 milhões de clientes. México e Colômbia também apresentavam expansão significativa.
O resultado financeiro também mostra a dimensão alcançada pela companhia.
No segundo trimestre deste ano, o Nubank registrou lucro líquido de aproximadamente US$ 1,1 bilhão, ultrapassando pela primeira vez essa marca em um único trimestre, segundo os dados divulgados pela empresa.
Esse desempenho fornece à fintech capacidade financeira para sustentar sua expansão internacional.
Competição com empresas globais
O movimento coloca o Nubank em uma disputa cada vez mais internacional.
Empresas como Wise e Revolut já atuam justamente em serviços relacionados a transferências internacionais, contas em diferentes moedas e soluções financeiras digitais.
O mercado de contas globais ganhou espaço com a expansão do trabalho remoto, crescimento das viagens internacionais, aumento da mobilidade profissional e maior facilidade para realizar operações financeiras pela internet.
O Nubank agora tenta disputar esse mercado utilizando uma vantagem importante: uma base de dezenas de milhões de clientes e uma marca já consolidada na América Latina.
Para o cliente brasileiro, o que muda?
A expansão internacional não significa que todos os clientes brasileiros terão automaticamente acesso a todos os produtos anunciados.
A disponibilidade depende das regras, do país de residência e das condições estabelecidas pelo Nubank para cada produto.
A Nu Global foi apresentada como uma solução voltada justamente para pessoas com necessidades financeiras internacionais.
Para brasileiros que viajam, vivem fora do país ou mantêm relações financeiras no exterior, a possibilidade de movimentar recursos em diferentes moedas dentro de uma mesma plataforma pode representar uma alternativa aos serviços tradicionais.
Mas o consumidor precisa observar cuidadosamente as condições de cada operação.
Mesmo quando uma empresa anuncia transferências sem tarifa, podem existir regras específicas, custos tributários ou condições relacionadas à conversão e ao produto utilizado.
Uma mudança de posicionamento
O anúncio feito pelo Nubank representa algo maior do que o lançamento de uma nova conta.
A fintech está tentando mudar sua própria identidade no mercado.
Durante anos, o Nubank foi associado principalmente à ideia de cartão de crédito sem burocracia e conta digital para o consumidor brasileiro.
Agora, a empresa pretende se apresentar como uma plataforma financeira global.
A estratégia combina conta, cartão, pagamentos internacionais, moedas digitais, investimentos e ativos digitais.
É uma expansão de escopo que coloca o Nubank diante de um desafio proporcional ao tamanho da oportunidade.
O desafio americano
Entrar nos Estados Unidos não é simplesmente levar um aplicativo brasileiro para outro país.
O sistema financeiro americano possui regras regulatórias próprias, forte concorrência e consumidores acostumados a uma grande variedade de produtos financeiros.
O Nubank terá de construir confiança em um mercado no qual gigantes bancários e grandes empresas de tecnologia financeira já possuem milhões de clientes.
Por isso, a operação americana será um dos maiores testes da capacidade de internacionalização da companhia.
O sucesso no Brasil, México e Colômbia oferece experiência e escala, mas não garante automaticamente o mesmo resultado nos Estados Unidos.
O futuro do banco está cada vez menos limitado por fronteiras
A expansão do Nubank acompanha uma transformação mais ampla no sistema financeiro.
A tecnologia está reduzindo a importância das fronteiras para determinadas operações bancárias.
Enviar dinheiro para outro país, manter recursos em diferentes moedas ou realizar pagamentos internacionais está deixando de ser uma atividade restrita a empresas e clientes de alta renda.
A tendência é que essas operações se tornem cada vez mais acessíveis e digitais.
É justamente nesse cenário que o Nubank pretende crescer.
A empresa brasileira que começou há 13 anos com a promessa de simplificar a relação dos consumidores com os bancos agora tenta levar essa mesma proposta para uma escala internacional.
A pergunta que fica é se o modelo que conquistou milhões de brasileiros conseguirá repetir o desempenho em mercados muito mais competitivos.
A entrada nos Estados Unidos e o lançamento da Nu Global mostram que o Nubank está disposto a descobrir a resposta em campo.