três caminhos diferentes para chegar a Brasília
A disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados coloca em campo candidatos com trajetórias políticas, bases territoriais e experiências eleitorais diferentes.
Em Minas Gerais, a eleição federal exige uma construção que ultrapassa os limites de um único município. O eleitorado de todo o Estado participa da escolha dos deputados federais, e cada candidatura precisa transformar sua presença política em votos distribuídos pelo território.
É dentro dessa lógica que o Aqui Acontece acompanha, neste quarto capítulo da série “Eleições 2026 | Quem quer o voto do Norte de Minas?”, três candidaturas que chegam à disputa por caminhos distintos: PC Landim, Carol Figueiredo e Igor Santos.
A análise considera trajetória eleitoral, base territorial e o desafio colocado pela mudança de escala da disputa.
PC Landim: da política municipal para uma eleição estadualizada
PC Landim, nome de urna de Paulo Cesar Landim Miranda, é vereador de Montes Claros e concorre a deputado federal pelo Avante, número 7038.
Sua trajetória eleitoral mais recente foi construída no Legislativo municipal.
Em 2024, foi eleito vereador de Montes Claros com 2.389 votos. Antes disso, havia disputado novamente uma cadeira na Câmara Municipal em 2020, quando recebeu 1.325 votos e ficou como suplente.
A candidatura de 2026 representa, portanto, uma mudança importante de escala.
Na eleição municipal, a disputa está concentrada no eleitorado de Montes Claros. Na eleição para deputado federal, o território eleitoral passa a ser todo o Estado de Minas Gerais.
É nesse ponto que a candidatura precisa ser observada.
A passagem da política municipal para uma disputa federal exige a construção de uma votação que ultrapasse a base original e alcance outros municípios.
Não significa apenas buscar mais votos. Significa construir presença política em um território muito maior, em uma eleição proporcional na qual partidos e candidaturas disputam conjuntamente a distribuição das cadeiras.
O registro de PC Landim para deputado federal aparece atualmente como deferido na Justiça Eleitoral.
A questão colocada pela candidatura é: como uma liderança que construiu sua trajetória no Legislativo municipal consegue ampliar seu território político para uma eleição estadual?
Carol Figueiredo: duas experiências eleitorais antes da disputa federal
Carol Figueiredo, nome de urna de Caroline Figueiredo Costa, concorre a deputada federal pelo PL, número 2221.
Assim como PC Landim, ela possui uma trajetória recente na Câmara Municipal de Montes Claros.
Nas eleições de 2024, foi eleita vereadora com 2.004 votos. Mas sua experiência eleitoral não se limita à política municipal.
Em 2022, Carol disputou uma vaga de deputada estadual pelo PL e recebeu 12.360 votos em Minas Gerais. Os votos foram registrados em 504 municípios, segundo os dados eleitorais compilados a partir das informações do TSE.
Esse dado é relevante para compreender a candidatura de 2026.
A eleição de 2022 já colocou Carol diante de uma disputa estadual. Dois anos depois, ela voltou a disputar uma eleição municipal e conquistou uma cadeira na Câmara de Montes Claros.
Agora, retorna ao cenário estadual, desta vez na disputa por uma vaga na Câmara dos Deputados.
Existe, portanto, uma combinação entre experiência eleitoral estadual e mandato municipal.
O registro da candidatura de Carol Figueiredo aparece deferido pela Justiça Eleitoral.
O ponto de análise não é simplesmente repetir os resultados anteriores, mas observar como eles podem se relacionar com a nova disputa.
Como uma candidatura que já passou por uma eleição estadual e depois consolidou uma base municipal tenta construir novamente uma votação em escala mineira, agora para deputado federal?
Igor Santos: da Prefeitura de Paracatu para a Câmara dos Deputados
Igor Santos chega à eleição federal por uma trajetória diferente.
Natural de Paracatu, Igor Pereira dos Santos foi eleito prefeito do município em 2020 e conquistou a reeleição em 2024.
Na eleição municipal de 2024, ainda pelo União Brasil, recebeu 40.976 votos, correspondentes a 82,34% dos votos válidos em Paracatu. O resultado o colocou novamente à frente da disputa pela Prefeitura.
Agora, a candidatura muda de cargo e também de partido.
Em 2026, Igor Santos concorre a deputado federal pelo PL, número 2227. O registro aparece como deferido pela Justiça Eleitoral.
A mudança merece atenção porque uma eleição municipal e uma eleição proporcional federal possuem dinâmicas diferentes.
Na disputa pela Prefeitura, o eleitorado de Paracatu escolhe diretamente o chefe do Executivo municipal.
Na eleição para deputado federal, a disputa acontece em todo o Estado e está inserida no sistema proporcional. A votação individual do candidato é importante, mas a distribuição das cadeiras também envolve o desempenho das legendas e as regras do sistema eleitoral.
Por isso, os 40.976 votos obtidos em Paracatu em 2024 não podem ser tratados automaticamente como uma projeção da votação de 2026.
Eles são, porém, um dado concreto da trajetória eleitoral do candidato naquele município.
Essa distinção é fundamental para uma análise eleitoral responsável.
A pergunta, portanto, é: como uma trajetória construída no Executivo municipal pode ser convertida em uma candidatura de alcance estadual para chegar à Câmara dos Deputados?
Três trajetórias e uma mudança de escala
PC Landim, Carol Figueiredo e Igor Santos chegam à eleição federal com histórias políticas diferentes.
PC Landim traz a experiência de vereador e uma base construída em Montes Claros.
Carol Figueiredo combina o mandato municipal com uma experiência anterior em eleição estadual.
Igor Santos chega depois de duas vitórias consecutivas na disputa pela Prefeitura de Paracatu.
São caminhos distintos, mas todos enfrentam uma questão semelhante: a necessidade de ampliar o território eleitoral.
Esse é um dos pontos centrais da eleição de deputado federal.
Uma candidatura pode ter uma base municipal consolidada, uma votação estadual anterior ou uma trajetória no Executivo. Nenhum desses elementos, isoladamente, determina o resultado de uma eleição futura.
O que eles permitem é compreender de onde cada candidatura parte.
Também é importante separar presença política de resultado eleitoral.
Mandato, votação anterior, atuação municipal, alianças partidárias e presença territorial são elementos que ajudam a analisar uma candidatura. Mas não permitem, por si só, afirmar quem será eleito.
É justamente nessa fronteira entre fato e interpretação que o Aqui Acontece pretende conduzir esta série.
Não estamos dizendo em quem o eleitor deve votar. Estamos mostrando quem está disputando o voto, de onde vem sua trajetória, quais dados eleitorais ajudam a compreender cada candidatura e o que está em jogo em 2026.
Fato primeiro. Contexto depois. Análise por último.
O radar continua
A série “Eleições 2026 | Quem quer o voto do Norte de Minas?” continua acompanhando os nomes que entram no radar da disputa por uma cadeira na Câmara dos Deputados.
Nos próximos capítulos, o olhar permanece sobre trajetórias, bases territoriais, resultados anteriores e as diferentes estratégias utilizadas pelos candidatos para ampliar sua presença no mapa eleitoral de Minas Gerais.
Acompanhe o Aqui Acontece Pirapora e os próximos capítulos da série.